domingo, 26 de agosto de 2012

Carlos Drummond de Andrade

"O grito mais alto ainda é suspiro,
os oceanos calaram-se há muito."
Canção de Berço



Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! vai imundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos - voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
- Ó vida futura! nós te criaremos.
Mundo Grande

sábado, 18 de agosto de 2012

sábado, 11 de agosto de 2012

Eu me pergunto...

É tão cansativo que eu estou ficando louca, você não conhece o meu coração.
After School - Flashback


Acreditar ou desacreditar...
Amar ou odiar...
Correr ou esperar...
Morrer ou viver...

Por que diabos não existe um meio termo?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Funesta Girl


E por que eu não consigo ser sincera
comigo mesma?
E por que nem você consegue ser sincero
consigo mesmo?


Mesmo agora quando eu decidi não te ver mais... 
Não te almejar mais... Não seguir-te mais...
Eu ainda desejo te encontrar.

Mesmo quando digo a mim mesma que eu devia estar fazendo outra coisa...
No fim, eu só consigo pensar em você e em mais ninguém.
Afinal, por que você saiu do meu lado?
Se quando necessário, você é o primeiro a me socorrer...

E então, eu me irrito com a vida...
Admito, hoje eu vejo a funesta que sou
Temo, com uma faca fatiar-te o corpo
E então... aceito o conformismo de não procurar-te mais.